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ARTIGO: Comércio ?não essencial? para quem?

18 de Junho, 2020 - Notícias Gerais

Idalice Manchini, presidente do Sindilojas Caxias

Quem gosta de ficção científica talvez até possa ter imaginado o cenário que estamos vivendo com a pandemia da Covid-19. A circunstância surreal que afeta o nosso cotidiano e que realmente não poderíamos prever é a gigantesca dependência do comportamento do outro a que esse vírus nos submete. Não importa o quanto eu lute para preservar a minha saúde e de meus familiares, o quanto eu abra mão de ver as pessoas que amo, enquanto as pessoas que vivem na minha cidade seguem como se nada estivesse acontecendo. Famílias e amigos passeiam pela cidade, aproveitam os parques ao ar livre juntos e vivem a vida sem preocupação com o bem-estar do próximo, filhos e netos expõem e visitam os avós pertencentes ao grupo de risco, festas clandestinas ocupam as páginas dos jornais. E eu pergunto a vocês: quem faz tudo isso? As pessoas, não é? Esses mesmos cidadãos que precisam se conscientizar de que vivemos na coletividade.

O que eu faço afeta você e não se pode fugir da reciprocidade, cabe à correspondência mútua o despertar da empatia. Cada um de nós é afetado pelas restrições estabelecidas pelo Governo do Estado, o que atinge sim o comércio local. Ironicamente, o comércio varejista, que não se enquadra como “essencial”, a exemplo da alimentação, dos serviços e produtos de saúde, combustíveis, limpeza etc, é penalizado quando aquela pessoa que deveria estar em casa, rompe o ciclo do distanciamento controlado. Afinal, o comércio varejista “não essencial” é sim importante para todos nós: há toda uma cadeia econômica envolvida que movimenta a economia, gera empregos, garantindo o sustento de muitas famílias e contribuindo para o bem-comum através dos impostos pagos ao poder público. Não é uma questão de incentivar o consumo desenfreado, mas de atender as necessidades das pessoas e estar com as portas abertas. Imagine que o seu filho está crescendo e você precisa em pleno inverno de uma roupa quentinha. Você também pode ter doado aquela blusa de lã que te aqueceu por anos e precisa de uma nova. E quando um calçado já não serve mais para enfrentar um dia chuvoso? Você, certamente, vai sentir falta daquela loja do bairro se ela estiver fechada, não é mesmo? Afinal, o comércio ajuda as pessoas!

Então, faço um convite a vocês: vamos preservar vidas e respeitar as regras de distanciamento social para que todos possamos ter as lojas abertas, consumindo com consciência no comércio local. Todos saem ganhando!

 

 

 

Sindicato do Comércio Varejista de Caxias do Sul

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