Quem gosta de ficção científica talvez até possa ter imaginado o cenário que estamos vivendo com a pandemia da Covid-19. A circunstância surreal que afeta o nosso cotidiano e que realmente não poderíamos prever é a gigantesca dependência do comportamento do outro a que esse vírus nos submete. Não importa o quanto eu lute para preservar a minha saúde e de meus familiares, o quanto eu abra mão de ver as pessoas que amo, enquanto as pessoas que vivem na minha cidade seguem como se nada estivesse acontecendo. Famílias e amigos passeiam pela cidade, aproveitam os parques ao ar livre juntos e vivem a vida sem preocupação com o bem-estar do próximo, filhos e netos expõem e visitam os avós pertencentes ao grupo de risco, festas clandestinas ocupam as páginas dos jornais. E eu pergunto a vocês: quem faz tudo isso? As pessoas, não é? Esses mesmos cidadãos que precisam se conscientizar de que vivemos na coletividade.
O que eu faço afeta você e não se pode fugir da reciprocidade, cabe à correspondência mútua o despertar da empatia. Cada um de nós é afetado pelas restrições estabelecidas pelo Governo do Estado, o que atinge sim o comércio local. Ironicamente, o comércio varejista, que não se enquadra como “essencial”, a exemplo da alimentação, dos serviços e produtos de saúde, combustíveis, limpeza etc, é penalizado quando aquela pessoa que deveria estar em casa, rompe o ciclo do distanciamento controlado. Afinal, o comércio varejista “não essencial” é sim importante para todos nós: há toda uma cadeia econômica envolvida que movimenta a economia, gera empregos, garantindo o sustento de muitas famílias e contribuindo para o bem-comum através dos impostos pagos ao poder público. Não é uma questão de incentivar o consumo desenfreado, mas de atender as necessidades das pessoas e estar com as portas abertas. Imagine que o seu filho está crescendo e você precisa em pleno inverno de uma roupa quentinha. Você também pode ter doado aquela blusa de lã que te aqueceu por anos e precisa de uma nova. E quando um calçado já não serve mais para enfrentar um dia chuvoso? Você, certamente, vai sentir falta daquela loja do bairro se ela estiver fechada, não é mesmo? Afinal, o comércio ajuda as pessoas!
Então, faço um convite a vocês: vamos preservar vidas e respeitar as regras de distanciamento social para que todos possamos ter as lojas abertas, consumindo com consciência no comércio local. Todos saem ganhando!